Quem é que o Facebook Messages vai matar?

Facebook MessagesFoi apresentado ao mundo no dia 15 de Novembro de 2010, o novo produto Facebook Messages. Este sistema integra diferentes canais de comunicação numa única plataforma, nomeadamente as mensagens do Facebook, instant messaging, mensagens SMS e ainda e-mail. Esta aplicação permite criar um repositório único do histórico de todos os contactos que fazemos com uma pessoa, independentemente do meio de comunicação. Apesar de muitos lhe chamarem “Gmail killer”, é necessário compreender quais os reais impactos do uso desta ferramenta.

Hoje em dia, uma grande fatia da população mundial utiliza diariamente e-mail, SMS, messenger e Facebook. Qualquer um destes canais permite contactar outras pessoas via texto, em qualquer tipo de dispositivos com uma ligação telefónica ou Internet (telemóveis, tablets, PCs, etc.). No entanto, as aplicações através das quais utilizamos estes meios de contacto são diferentes. Temos aplicações de telemóvel, de PC, via Web, etc. No limite, podemos conversar com uma pessoa sobre um mesmo assunto através de canais totalmente distintos. O Facebook propõe-se integrar todos os canais numa única plataforma acessível em qualquer dispositivo. Assim, em qualquer altura, podemos encontrar uma conversa completa que tivemos com um amigo, sem ter de vasculhar email, telemóvel ou histórico do messenger.

Antes da apresentação oficial do Facebook Messages, foi grande a especulação sobre o facto deste produto se destinar a competir directamente com o Gmail da Google. É preciso desmistificar essa situação. Claramente, o Facebook Messages não é uma ferramenta de e-mail (apesar de permitir a criação de um endereço @facebook.com) pois o seu grande ponto forte é a integração de diferentes canais de comunicação (entre eles o email), num interface único, que faz o cruzamento com o gráfico social de cada utilizador.

No entanto, a Google tem razões para estar preocupada. Mas não só! A Microsoft também tem de se precaver, não apenas pelos seus serviços de email (Hotmail) mas, principalmente, por causa do Windows Live Messenger. Esta aplicação tem sofrido actualizações significativas sendo que, a última versão, permite integrar actualizações das redes sociais, entre elas o Facebook, numa nova interface associada à lista de contactos tradicional. No entanto, a experiência de utilização não é comparável à do website do Facebook e, rapidamente, muitos utilizadores estão a desprezar a existência desta ferramenta. Relativamente ao produto nuclear, o instant messaging, muitos utilizadores do Facebook já optam por utilizar esta funcionalidade na própria rede social. Com as melhorias que se espera que o Facebook Messages venha a introduzir, poderemos estar perante um cenário de  abandono progressivo do Windows Live Messenger, por este se tornar redundante.

Relativamente ao serviço de SMS, as operadoras telefónicas deverão estar a esfregar as mãos de satisfação, pois a utilização do Facebook Messages poderá aumentar as receitas do serviço SMS ou até dos pacotes de acesso à Internet no telemóvel. O aumento do número de smartphones no mercado também contribuirá positivamente para esta dinâmica.

No entanto, há mais uma área onde o Facebook Messages poderá ter impacto. Estou a falar das empresas. Tendo uma aplicação onde é possível centrar a comunicação nos nossos contactos principais, conversar com várias pessoas em simultâneo, independentemente do meio ou local e inclusive partilhar ficheiros, podemos estar a assistir ao nascimento de uma ferramenta de colaboração e produtividade sem rival. Assim sendo, o Facebook alargará a sua esfera de influência a um público que actualmente usa apenas as páginas e eventualmente os anúncios. Ao reflectir sobre isto, lembrei-me do Google Wave, uma ferramenta colaborativa que pretendia simplificar a comunicação, mas que acabou por não despertar interesse suficiente dada a sua complexidade. No entanto, creio que alguns elementos do Google Wave estão presentes na essência do novo Facebook Messages e que, com o futuro, este último tenderá a aproximar-se do primeiro em termos de funcionalidades (exemplo: produção simultânea de conteúdos, escrita em tempo real, etc.)

São também de salientar as questões ligadas à privacidade e segurança dos dados. Esta nova aplicação implica que todos as conversações fiquem guardadas nos servidores do Facebook. Apesar de ser possível apagar os históricos, cada utilizador tem de estar sensibilizado para o facto de haver um duplo registo de cada conversa. Para além disso, o Facebook terá de assegurar a segurança dos dados e do seu acesso assim como a protecção contra esquemas de phishing que cada vez mais afectam o nosso email e também a rede social.

Por enquanto, o acesso ao Facebook Messages só está disponível por convite. Deverá ser aberto ao público em geral dentro de alguns meses, de forma progressiva, como é habitual. Em Portugal podemos ir esperando sentados, pois nem sequer temos ainda acesso ao Facebook Places.

Se ainda não conhece, pode ver aqui um vídeo sobre o Facebook Messages.

About Miguel Pereira

Fundador e gestor do projecto “New Generation Marketing”. Docente na Universidade de Aveiro. Gestor de projectos de Internet marketing. Mestre em Gestão. E-mail: miguel.pereira@newgmk.com LinkedIn: http://pt.linkedin.com/in/jmiguelpereira
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