Tal como anunciado nas redes sociais, na passada 6ª feira fui um dos oradores no XII Congresso Nacional de Estudantes de Economia e Gestão, que se realizou na Universidade de Aveiro. Como não será de estranhar, o tema sobre o qual falei foi Internet Marketing.
Antes do início da palestra, tive oportunidade de falar com alguns alunos e, à medida que conversávamos sobre este tema, apercebi-me do quase total vazio de conhecimentos que eles demonstraram sobre Internet marketing. Ao aprofundar o assunto e, posteriormente, ao fazer uma pesquisa por planos curriculares de licenciaturas, nomeadamente Gestão e Economia, constatei aquilo que temia: em vários estabelecimentos de Ensino Superior portugueses, as licenciaturas em Gestão e Economia dão aos alunos uma visão quase nula das decisões que estes poderão tomar, enquanto profissionais, no âmbito da Internet. Exemplificando, a maioria destes alunos desconhecem conceitos como “domínio” ou “alojamento”, questões básicas de qualquer presença na Internet. Para além disso, na audiência, a percentagem de utilizadores do Facebook é consideravelmente inferior à dos meus alunos de Marketing. Alguns membros da assistência afirmaram também desconhecer o que é o Twitter…
Confesso que não fiquei totalmente surpreendido. Da experiência na disciplina “Aplicações de Internet Marketing” que lecciono no Mestrado em Marketing da Universidade de Aveiro, posso afirmar que, à entrada, mais de metade dos alunos tinham noções muito fracas neste domínio e que aproximadamente um terço não conseguiam sequer dar uma definição aceitável de “Internet”.
É preciso mudar este paradigma. A Internet veio trazer alterações profundas, rápidas e constantes ao ambiente organizacional global, e é preciso entender que estas não se reflectem apenas na comunicação de marketing, mas sim, em toda a estratégia das empresas. Numa época em que é consensual afirmar que as exportações de bens transaccionáveis são a principal esperança para o crescimento económico do nosso país, é um contra-senso que não se esteja a ensinar a futuros gestores e economistas como é que se pode usar a Internet como forma de internacionalização.
Agradeço o convite à organização do XII CNEEG, e transcrevo a frase com que iniciei e terminei a minha apresentação: “Loucura é fazer sempre a mesma coisa, à espera de um desfecho diferente.” Assim o nosso país entenda o verdadeiro alcance desta frase e comece a deitar olho ao que se passa do outro lado do Atlântico.
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